23.2.04

O MUNDO MUTANTE DOS ARCHIGRAM

A busca radical do ajuste perfeito entre habitante e habitação levou diversas vezes, ao longo do século XX, a questão do corpo na arquitectura ao limite, à utopia, como sucedeu nos anos 60 com os Archigram. A utopia é aqui o culminar do estudo da arquitectura a partir do espaço mínimo, vendo radicalmente a arquitectura como a segunda pele do corpo humano.

A arquitectura mutante dos Archigram parte da tentativa de garantir a adaptabilidade dos espaços às exigências naturais da evolução rápida das sociedades e das tecnologias que estas desenvolvem. Por detrás das suas experiências, revelaram-se sempre dois conceitos fundamentais: corpo e movimento. O ajuste perfeito do espaço ao corpo e o nomadismo dos edifícios. Ou a identificação total entre edifício e habitante. Cria-se uma simbiose em que cada necessidade do homem é servida: a sua subsistência, o seu prazer, a sua deslocação, a sua integração na sociedade, a sua liberdade.



Desde o projecto Plug-In City, os Archigram produziram uma série de protótipos de cápsulas, todos desenvolvidos nos anos 60 e início dos 70, que constituiriam a habitação do futuro. A cápsula deste projecto era uma unidade completamente pré-fabricada, totalmente ergonómica e eficaz no seu funcionamento. Todos os componentes estavam preparados para ser substituídos assim que se tornassem obsoletos. Este carácter industrial, de produção em série de cada elemento construtivo, estaria presente em toda a sua obra, o que era perfeitamente coerente com as suas posições sobre o futuro do homem, da arquitectura e, consequentemente, da cidade. Num mundo de constantes evoluções e substituições, deixa de haver lugar para o produto artesanal e exclusivo.

A cápsula da Plug-In City, apesar da sua reduzida dimensão, continha um programa de habitação completo. O único constrangimento era a obrigatoriedade de estar inserida numa torre, com milhares de outras cápsulas, no que era uma redefinição total da habitação na cidade. A noção de colectivo é de tal modo levada ao limite que o estilo de vida na cidade torna-se similar ao de um hotel, com repercussões inevitáveis na estrutura da própria sociedade. Os Archigram viam na cidade um organismo humano e era este organismo que construiria o homem do futuro. O homem deste futuro, aparentemente, deseja um espaço mínimo capaz de suprir todas as suas necessidades. Mas é um ser assexuado que racionaliza os seus desejos e vê na tecnologia a solução para todos os seus problemas.

[ para ler o texto integral entrar aqui ]
0 comentários

12.2.04

BREVE ESCLARECIMENTO SOBRE A TEORIA (DA ARQUITECTURA)

A teoria não é uma questão de erudição. A teoria não é uma actividade de intelectuais. A teoria não é dispensável. A teoria não é um luxo. Não é sequer um complemento. A teoria é pensamento e o pensamento deve ser simultâneo ao gesto construído.

1 comentários

11.2.04

PROJECTO CASA BARCELONA

(ainda a propósito da obrigação da arquitectura, também enquanto arte, trazer para o presente o olhar do futuro...)


Once upon a time...

Cabe-nos elevar as ambições, transformá-las em utopias, persegui-las. Para desconstruí-las depois, inseri-las num padrão de realidade. Precisamos de sonhar sempre alto demais – condição indispensável à evolução. A arquitectura não é diferente, a não ser na sua inércia, na sua sua enorme resistência às mudanças. Por mais rápidas que nos pareçam, processam-se através de mutações inexoravelmente lentas, de tentativas que não passam, muitas vezes, de boas intenções. Tentativa e erro. Mais uma tentativa se segue.

De todos os programas, a habitação colectiva é aquele que menos mudou ao longo dos tempos. Desde o início da Revolução Industrial, o seu advento, quando se deu a explosão demográfica nas cidades e o consequente rareamento do solo, que a habitação colectiva mantém sensivelmente a mesma estrutura. Com mais ou menos imaginação, a tipologia clássica cozinha-sala-quartos, disposta rigidamente na sua vivência, permanece inalterada, sem que se dê resposta às cada vez mais prementes exigências que nos são impostas pela diversidade e velocidade que hoje vivemos.

É relativamente fácil desenhar os contornos de futuros possíveis num equipamento cultural ou numa habitação unifamiliar. Defende-os a sua unicidade. Cada caso é um caso, cada programa atende exactamente ao que a realidade reclama. Na habitação colectiva, contudo, a situação é completamente distinta. Cada programa é uma previsão abstracta. Não chega a ser sequer um palpite sobre a vivência futura, mas tão só uma exigência do promotor imobiliário. E se nunca foi possível encaixar com exactidão os agregados familiares nessas células predeterminadas, a tarefa tem vindo a tornar-se ainda mais difícil com as mudanças nos costumes e na composição da família.

É por isso que a casa do futuro não reside tanto na inovação dos materiais, no uso abundante dos painéis de vidro ou nos equipamentos tecnológicos que recheiam a habitação. Aí, os filmes de ficção científica falharam redondamente. A chave é a flexibilização dos espaços. Que permita uma adaptação às diferentes composições familiares, às diferentes personalidades, às diversas rotinas. Todas as (muitas) experiências desenvolvidas nos últimos anos relativas à reinvenção da habitação colectiva versam sobre essa necessidade. Mas no meio de tanta experiência é normal que alguém se perca. É fácil cair na tentação de conceptualizar sem concretizar. A ideia poderá sempre permanecer interessante mas acabará provavelmente por ser inconsequente.


A materialização do futuro

O projecto Casa Barcelona faz história precisamente por ser uma proposta realista e perfeitamente exequível que aponta um caminho para a criação de uma habitação adaptável a cada usuário. Eventualmente haverão ideias mais revolucionárias ou mais interessantes. A virtude deste projecto foi percebê-lo, assumi-lo, e partir do princípio que estava já tudo dito no campo teórico, faltando o avanço decisivo para a prática. O resultado é único e, enquanto outros conversavam, em Barcelona materializou-se o futuro.

A ideia é simples – elaborar um novo sistema construtivo de produção industrial que permitisse a sua aplicação em série conforme as necessidades específicas de cada habitação, com a exigência adicional de se chegar a uma solução economicamente viável.

Com a colaboração da Fundação Mies van der Rohe, e sob a orientação do arquitecto catalão Ignacio Paricio, a proposta foi ganhando forma. Começou-se por se decompor o sistema construtivo em cinco elementos construtivos essenciais e complementares entre si: a janela aditiva, o tabique móvel, o pavimento técnico, a cozinha modular e os sanitários móveis.

(Também Le Corbusier tinha os seus cinco pontos...)

O desenvolvimento individual de cada um dos elementos foi atribuído a cinco diferentes ateliers de arquitectura em parceria com cinco empresas especializadas: a janela ficou a cargo do holandês Ben van Berkel, dos UN Studio, em parceria com a Technal Ibérica; o tabique ficou com o japonês Toyo Ito, em parceria inicial com a Uralita, relação que viria mais tarde a ser abortada; o pavimento com os espanhóis Clotet & Paricio, em parceria com o Grupo Simón; a cozinha foi atribuída ao francês Dominique Perrault, em parceria com a Fagor; e o inglês David Chipperfield ficou responsável pelos sanitários, em parceria com a Ideal Standard.

Todos os elementos teriam de incorporar duas características essenciais – conterem um grande capital de versatilidade e terem a capacidade de evoluírem, através de uma lógica de upgrade.
0 comentários

5.2.04

VIOLÊNCIA

O Lourenço, d' O Projecto, insurgiu-se uma vez mais contra o conceito de violência na arquitectura que tenho vindo a expor, de forma diversa, em vários textos. Parece-me evidente que o conceito de violência do Lourenço é francamente mais redutor do que o meu. Também cai no erro de o abordar de um modo quase figurativo, como se a palavra violência tivesse inevitavelmente uma carga pejorativa e se resumisse ao entendimento corrente de algo destrutivo e desconfortável. O que não corresponde à verdade. A minha resposta divide-se em duas partes, das quais a segunda, sobre o meu conceito de violência na arquitectura, poderá ser fastidiosa, já que vou repetir o que já escrevi anteriormente. E a resposta é longa, longa, longa… mas a Epiderme é mesmo para quem tem alguma paciência…



PARTE I: SOBRE AS AFIRMAÇÕES N' O PROJECTO

Lourenço: Entendo que a 'violência' na arquitectura diz respeito à sua condição de arte, que provoca essa incomodidade já referida. No entanto sei que a arquitectura não deve ser uma característica das construções de excepção, mas sim ser uma actividade apurada que se investe em toda a construção.

Eu: Entendes mal, Lourenço. Como está bem explícito nos meus textos, a violência não se refere apenas à sua condição de arte. E, já agora, a arquitectura, em contexto nenhum, é uma característica

Lourenço: A violência não nos deixa a opção de ser indiferente. Obriga-nos a reagir. Isso é extraordinário em obras notáveis. Contudo é desgastante e contraditório da condição urbana exigir essa característica a todas as manifestações arquitectónicas.

Eu: Mais um equívoco… Também me parece bem explicado que a violência está sempre inscrita em qualquer gesto arquitectónico, mesmo que muito suave e harmonioso, quanto mais não seja porque existe sempre uma imposição, ao lugar, aos corpos que habitam o espaço. Não é um estratagema das obras notáveis para nos fazer reagir. Os arquitectos, por norma, não são sádicos.

Lourenço: Ocorre-me uma interrogação de outro tipo. Se o 'habitar' é um processo de familiarização do ambiente, então essa 'violência' que nos habita não será uma situação temporária? Não será o 'habitar' um sucessivo domesticar do que nos violenta?

Eu: De facto, não. Não neste caso. O conceito de violência que abordo é múltiplo e é um processo contínuo e inevitável. Não se domestica.

Lourenço: Deixo, pelo que vale, a definição de violento. Talvez ajude a mostrar porque tenho dificuldade em aplicar o conceito à arquitectura.

Eu: Do mesmo modo que para resolver uma equação não basta conhecer os algarismos, para fazer uma análise não basta consultar o significado dos vocábulos no dicionário. Até porque nenhum conceito se resume em meia dúzia de palavras soltas. Já viste o significado da palavra arte? Satisfaz-te do ponto de vista do conceito? De qualquer modo, não vejo contradição entre os significados encontrados nesse dicionário e o conceito de violência que expus…



PARTE 2: SOBRE O CONCEITO DE VIOLÊNCIA NA ARQUITECTURA

Comecemos pelas evidências: para existir violência é preciso existir um corpo. O corpo como objecto da agressão. Ou como agressor. Do mesmo modo que o edifício se constrói como uma violência sobre o pré-existente, o espaço constrói-se como uma violência vivida através do corpo que o invade. A violência, contudo, não é forçosamente um acto niilista. A violência pode ser apenas o choque sensual entre o corpo e o edifício. Os edifícios simultaneamente confortam e confrontam os corpos. É precisamente desse embate, dessa relação intensa, que nasce a arquitectura. A intrusão do corpo no espaço e o modo como o modifica.

Cada movimento de um corpo é um episódio novo e irrepetível de um espaço. O corpo que desliza pelo espaço, o espaço que se bate contra o corpo, o espaço que domina o corpo. A verdade é que o espaço também faz o corpo mesmo que o corpo não o admita. O modo como um corpo em movimento irrompe num edifício é sempre um gesto violento. Entrar num edifício pode ser um acto delicado, mas viola o equilíbrio de uma geometria precisamente ordenada. (...) O corpo perturba a pureza da ordem arquitectónica. É o equivalente a uma perigosa proibição (1).

A violência, na arquitectura, é sempre recíproca. Tal como o corpo afecta o espaço, o espaço afecta o corpo. Um corpo cercado é um corpo imóvel. O corpo que foge só corre porque tem, pelo menos, uma saída. Cada parede, cada abertura, influenciam o comportamento no espaço. Essa é, aliás, uma das intenções implícitas do arquitecto – condicionar o observador, controlar a violência da sua relação com o edifício, canalizar os seus movimentos. Cada porta deseja um corpo que a atravesse, cada corredor deseja um corpo que o percorra, cada espaço deseja um corpo que o habite.

Ao desenhar o espaço, o arquitecto sonha a sua utilização pelos corpos em movimento. O promenade architectural de Le Corbusier não é mais do que a expressão física desse movimento, como se fosse uma ritualização estudada da transgressão dos corpos no espaço. A rampa da Villa Savoye é um movimento transformado em sólido. Exige ser percorrida pelos corpos que penetram, assim, todo o edifício. É uma violência mútua (corpo/edifício) controlada.

O que se questiona é o mecanismo básico da arquitectura, a sua própria essência: a relação do corpo com o espaço, o modo como o corpo vive a arquitectura e como esta vive através do corpo. (Escreve-se sobre o corpo de modo aparentemente abstracto, mas a verdade é que este corpo também é teu).

Como em tudo, o primeiro gesto em arquitectura, o gesto novo, é sempre violento. Fazer o novo significa: fazer diferente significa: fazer o estranho significa: ser violento. Porque há uma ruptura com o que já está estabelecido: a norma, o hábito, o conhecido. É preciso destruir, romper com algo, para que um espaço possa ser construído. Destruição é construção (2). Independentemente da relação de cada arquitecto com o contexto, há sempre um ponto de partida que coincide com uma agressão consciente à pré-existência.

Não é possível esquecer o papel da negação na criação dos lugares. Mesmo sem nos referirmos à abordagem mais radical da tabula rasa modernista, é preciso reconhecer que não há lugar sem a negação de algo que o antecedeu, e que é partir desse processo aparentemente doloroso que nos é permitida a evolução, só possível pela rejeição da norma, pela recusa de um ponto de chegada, pela existência de pontos fixos. Há sempre um momento em que é necessário derrubar, destruir, é de lei.

Todos estes diferentes aspectos são as matizes de um conceito vasto e ambíguo, mas irremediavelmente ligado à essência da arquitectura. Por fim, refira-se que a minha visão não é original. Arquitectos e pensadores tão influentes e díspares como Bernard Tschumi, Beatriz Colomina, Rem Koolhaas, Dominique Perrault, Daniel Libeskind, Lebbeus Woods, Mark Wigley, Walter Benjamin, Michel Foucault, Gaston Bachelard, Jean Baudrillard ou Henri Bergson, entre muitos outros, já abordaram o tema inúmeras vezes afirmando muito do que tenho dito.

É evidente que estamos num campo muito conceptual da arquitectura, teórico, mas nem por isso menos importante. Analisar a arquitectura apenas pelas fotografias e pela obra construída, sem questionar e dissecar os mecanismos espaciais, estudando-os, experimentando-os, colocando-os no limite, é ver a disciplina de um modo redutor que apenas nos leva à mediania. Daí o meu interesse nestas questões mais marginais. Mas amanhã, estendo este ponto final…


1. Bernard Tschumi, Architecture and Disjunction, MIT Press (1996): Entering a building may be a delicate act, but it violates the balance of a precisely ordered geometry. (...) The body disturbs the purity of architectural order. It is equivalent to a dangerous prohibition.
2. Beatriz Colomina, Privacy And Publicity: Modern Architecture As Mass Media, The MIT Press (1998): Destruction is construction.
0 comentários

4.2.04

SO WHAT'S THE PROBLEM?

Há algum tempo, o Pedro colocou esta interessante questão:

Se arte é incomodidade, se arte é trazer para o presente o olhar do futuro, como conciliar isso com a necessidade de conforto que a arquitectura implica?

A pergunta tem um carácter dúplice, já que nas entrelinhas questiona-se uma vez mais a classificação da arquitectura como arte. Eu afirmo sem dúvidas que sim, que a arquitectura o é e já o disse anteriormente, aqui (a 02.11), dispensando repetir-me. Quanto ao resto, e apesar do que se poderia inicialmente pensar, avançar uma primeira resposta é fácil… Longe de denunciarem uma incompatibilidade da arquitectura com o estatuto de arte, os conceitos abordados só o reforçam.

O que é saudavelmente incómodo na arte é o confronto a que submete o público. Indo contra as frases feitas, destruindo mitos, rasgando novos horizontes, mostrando o que se esconde para além da superfície, provocando, colocando questões sem hipótese de fuga. Como qualquer outra arte, a arquitectura também contém este processo e é também através dele que evolui.

A diferença maior relativamente às outras artes é a sua inércia e a sua responsabilidade social mais directa. Significa isto que a sua evolução é mais lenta, até pelas implicações que cada pequena revolução na arquitectura traz para quem vive esses espaços, ou seja, para todos nós, todos os dias. Mas esse é um processo imparável. A arquitectura tem a obrigação de se antecipar, interpretando a sociedade e as suas necessidades e as suas mutações, de modo a propôr novas e melhores soluções. Exemplos não faltam. De projectos que tentam reinventar o modo como se encaram certos programas, nomeadamente a habitação. Desde os mais discretos aos mais publicitados, como o projecto star-system Casa Barcelona (de que falarei mais tarde).

Por isso, sim, a arquitectura tem esse capital de incomodidade e traz para o presente o olhar do futuro, o que nada tem a ver com o conforto que a arquitectura deve (geralmente) implicar. Porque esse conforto não se refere aos princípios artísticos da arquitectura mas a questões muito específicas a nível do resultado. E entre esses dois níveis de intervenção não reparo em qualquer contradição...
0 comentários

2.2.04

VÍTOR FIGUEIREDO

Não existe um momento e um modo certos para sabermos da morte de alguém que conhecemos. Soube da morte de Vítor Figueiredo apenas ontem, através de uma manchete. A banalidade dos meus gestos não deixava adivinhar o choque que se seguiria: comprar o jornal, lê-lo com vagar, até virar uma página e ver esta morte escrita.

O que sobra na morte é a palavra. E ainda assim proferimo-la, escrevemo-la, insistimos apesar da sua inutilidade perante o vazio. Que tentamos preencher com o que temos, as recordações, os testemunhos, os elogios sempre atrasados.

Importa-me menos sublinhar o arquitecto, e mais o professor, e mais ainda o homem. Aquela voz rouca não se esquece, nem aquele humor negro e corrosivo, tantas vezes mal interpretado. Aconteceu com muitos. Aconteceu comigo. Mas quando se percebia a sua personalidade certamente polémica, o que se via era um ser humano excepcional, desassombrado, um eterno provocador. Vítor Figueiredo não se escondia atrás de frases feitas nem de modas passageiras. Foi uma das mais interessantes e verdadeiras pessoas que conheci.

Hoje não posso partilhar mais nada.
0 comentários

1.2.04

DESIRE

To really appreciate architecture, you may even need to commit a murder. (1)



A arquitectura também tem a ver com desejo. O desejo é uma substância que se dissolve com a aproximação do objecto desejado. O desejo necessita do intangível. O desejo é a única coisa que não conseguimos esconder de nós próprios. A vontade dos corpos por entre o edifício, a sua procura de sensações, a sua insatisfação, também geram o espaço. A atracção entre dois corpos, violenta por natureza, também faz o espaço. A violência é essencial também para destroçar a indiferença entre corpo e edifício. O conforto anestesia. Só o espaço que nos fere nos habita.


1. Bernard Tschumi, Advertisements for Architecture in TSCHUMI, Bernard – Architecture And Disjunction, The MIT Press (1996)
0 comentários